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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Homem que Amava Caixas

Era uma vez um homem
O homem tinha um filho
O filho amava o homem
e o homem amava caixas.

Caixas grandes
caixas redondas
caixas pequenas
caixas altas
todos os tipos de caixas!

O homem tinha dificuldade em dizer ao filho que o amava;
então, com suas caixas, ele começou a construir coisas para seu filho.
Ele era perito em fazer castelos
e seus aviões sempre voavam...
a não ser, claro, que chovesse.

As caixas apareciam de repente, quando os amigos chegavam, e, nessas caixas, eles brincavam...
e brincavam...
e brincavam.

A maioria das pessoas achava que o homem era muito estranho.
Os velhos apontavam para ele.
As velhas olhavam zangadas para ele.
Seus vizinhos riam dele pelas costas.

Mas nada disso preocupava o homem,
porque ele sabia que tinham encontrado uma maneira especial de compartilharem...
o amor de um pelo outro.

[livro de Stephen Michael King, da Brinquebook]

Meninos e Meninas, eu li:

SMK é desse autores que a gente pode ler toda a obra sem receio de errar. Um ilustrador delicado e autor atento. Seus textos e desenhos são pura poesia. Esse é um poema. Para adultos e crianças de todas as idades, fala da qualidade das relações, hoje no pouco tempo que nos sobra entre tantos brinquedos digitais, inclusive esse onde nos conectamos. Há conexão mas afeto é raro. No livro o afeto se dá na ação, no fazer junto. Não esta em palavras, não há dialogo formal entre os personagens. Mas dialogam através de caixas... daquele objeto que seria o que encaixota, que esconde, que protege, que embala, que envia, que guarda... crianças gostam de caixas, fato. Como Calvin que prefere as caixas ao conteúdo que guardam. Gente grande que guarda a criança também gostam de caixas.. conheço várias. Talvez porque contém todas as possibilidades - podem ser uma casa, um carrinho, um berço, um transmutador celular... Caixas são lúdicas. São brinquedos em essência - não prontos, mas a serem criados, realizados, construídos. e podem ser tudo, tudo que a imaginação quiser. O dia que a industria de brinquedos perceber isso e os adultos também, talvez seja a falência da primeira e o dialogo geral do segundo.  [por Lux]